Em São Tomé e Príncipe, mais de 62% das mulheres empregadas trabalham no setor agrícola. Apesar desta centralidade, as mulheres, sobretudo das Associações Agrícolas, enfrentam diversos desafios: fraco empoderamento e conhecimento dos seus direitos; pouca participação na vida socioeconómica; práticas de produção agrícola rudimentares sujeitas às consequências das alterações climáticas; insegurança alimentar e nutricional.
Objetivo
O projeto Nutrir tem como principal objetivo o empoderamento de mulheres agricultoras e palaiês, a fim de contribuir para a promoção da igualdade de género, direitos humanos, fortalecimento da resiliência climática dos meios de subsistência agrícolas e a diminuição da pobreza multidimensional.
Para alcançar este objetivo, o projeto atua em diversas frentes, nomeadamente:
- Realização e divulgação de um Diagnóstico Participativo sobre igualdade de género, direitos humanos e situação da mulher em São Tomé e Príncipe – disponível para consulta online AQUI
- Desenho e implementação de um Plano de Empoderamento da Mulher (PEM) – disponível para consulta online AQUI
- Estudo sobre Conhecimentos, Atitudes, Práticas e Motivações (CAPM) sobre alimentação, nutrição e ambiente.
- Capacitação em matéria de igualdade de género e direitos humanos; gestão administrativa e financeira; associativismo; formalização económica e negócios sustentáveis; gestão sustentável dos recursos naturais; promoção da diversificação das culturas adaptadas às alterações climáticas; educação em alimentação, nutrição e ambiente.
- Implementação da estratégia de operacionalização para assegurar a sustentabilidade do Fundo de Gestão da AMAGRU STP.
- Distribuição de insumos, materiais e equipamentos agrícolas para suporte e melhoramento do funcionamento e sustentabilidade da AMAGRU.
- Realização de um Fórum de discussão e troca de experiência para a apresentação e partilha dos resultados do projeto a diversos atores-chave.
- Encontros com grupos de mulheres agricultoras em STP sobre gestão administrativa e financeira de pequenos negócios e micro-empresa.
- Jornadas da Mulher Santomense: realização de 6 eventos específicos sobre temáticas relevantes para as mulheres, promovendo a partilha de ideias e reflexões com diversos atores públicos e privados, com o objetivo de advogar soluções concretas para problemas, num diálogo mais aberto.
- Feiras mensais: promoção do comércio, escoamento de produtos e da inclusão económica de todas as mulheres produtoras participantes do projeto, com a “Feira das mulheres do meio rural”.
- Laboratórios culinários: momentos de partilha entre as mulheres formadas e as comunidades, através da demonstração de como escolher produtos mais saudáveis e nutritivos e as melhores formas para cozinhar e conservar os alimentos.
- Iniciativas de educação ambiental: iniciativas nas comunidades para a sensibilização e incentivo à mudança de comportamento social, promovendo atitudes e intervenções comunitárias positivas no ambiente.
Entidades implementadoras
O projeto é financiado pelo Camões, I.P. e pelo Fundo FEF-OSC / Alliance Française – Embaixada da França no Gabão e em São Tomé e Príncipe e implementado com o apoio e a colaboração entre as seguintes entidades parceiras:
- TESE – Associação para o Desenvolvimento;
- AMAGRU – Associação das Mulheres Agricultoras Unidas de São Tomé e Príncipe;
- Ministério da Saúde e dos Direitos das Mulheres – Instituto Nacional para a Promoção da Igualdade e Equidade de Género (INPG);
- Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Rural (CADR), Departamento de Associativismo e Cooperativismo;
- Câmaras Distritais de Mé-Zóchi, Lobata e Cantagalo.
Resultados esperados
- As mulheres das Associações Agrícolas em STP participam ativamente nos espaços de discussão e estão empoderadas sobre os próprios direitos e capacidades;
- As mulheres das Associações Agrícolas em STP melhoram o associativismo e a gestão administrativa e financeira, para a garantia/melhoria da sustentabilidade das mesmas;
- Os agregados familiares em STP são sensibilizados sobre práticas agrícolas e nutricionais mais resilientes, numa lógica de redução da pobreza.